(...) O que
conseguimos perceber com esse estudo é que uma das razões para o crescimento
contínuo do interesse pelos livros-reportagens encontra explicação no grande
desafio enfrentado pelo jornalismo impresso, que hoje precisa equilibrar o
máximo de conteúdo com o mínimo de palavras. Esta demanda, em muitas situações,
pode levar os impressos à informação burocrática, sem aprofundamento e sem
vida.
Com isso,
jornalistas buscaram alternativas para sair da mesmice e para se dedicar à
apuração aprofundada. Somada a essa característica está a entrada de recursos
literários, que dão sentido criativo, intenso e descritivo ao texto. O
livro-reportagem surge, então, como forma de escape, fazendo o texto retomar a
característica mais narrativa do início da história da imprensa, ou seja, o
estilo literário. (...)
(...) O que os profissionais de comunicação
fazem é se inspirar no que é feito com o irreal (literatura) para
narrar o real (notícia). Isso significa que o jornalismo é marcado por uma relação mais objetiva e
imediata com os fatos. A literatura, por sua vez, apesar de também trazer
nuances do cotidiano, abre espaço para uma abordagem mais profunda no sentido
de expor conflitos, filosofias e concepções ideológicas, conferindo assim maior
subjetividade ao texto. (...)
O livro-reportagem exige e tem mesmo uma
riqueza ímpar. Nele, encontramos, entre tantas características, a apuração
rigorosa, a observação, a abordagem ética, a liberdade de angulação, de
linguagem e de espaço. (...) Ele exige muita
dedicação, compromisso com a verdade e com a obrigação de ouvir todos os lados
envolvidos. Exige esforço, primor pela informação, responsabilidade e ética.
O livro-reportagem é um trabalho duro,
pesado e uma alternativa muito bem-vida encontrada por profissionais de
comunicação que ansiavam por difundir informações contextualizadas, sem aquela
costumeira fragmentação de notícias. Por
meio dele, conseguimos perceber que a junção das práticas jornalísticas com a
forma da literatura resulta numa verdadeira aula de um ótimo jornalismo.
_
Parte da conclusão da minha monografia para a conclusão do curso de Jornalismo que foi entregue em novembro de 2013 e que me deu nota 9,5.
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