13 de março de 2014

Dupla honra

Há exatamente um ano fui assaltada pela primeira e última vez. Estava no ponto, voltando da faculdade no início do meu sétimo período. Nem percebi a aproximação de dois caras. Quando me virei para pegar meu celular na mochila e ver a hora, vi que tinha um cara sentado bem próximo à mim e um outro em pé, do lado dele. Achei estranho porque tinha visto esses dois caras na fila para entrar em um ônibus quando estava chegando no ponto.Dei um passo para o outro lado, mas peguei meu celular mesmo assim. Vi a hora, dei mais um passo para o lado e guardei no bolso.  Fiquei torcendo para o meu ônibus vir, mas nada. Menos de cinco minutos depois ouço um "Ei... ei... ei..." até ele me cutucar. Viro pra trás e ele fala baixo "Fica bem quietinha e me passa seu celular devagar." Olho pro cara do lado e vejo ele segurando alguma coisa por dentro da blusa amarela que estava vestindo. Tinha o formato de uma arma. Meu coração estava saindo pela boca. Peguei meu celular (que era bem básico!) e dei na mão dele com má vontade. Ele continuo: "Me dá esse bilhete único que está na sua mão também." Eu falei: "Esse cartão é do meu trabalho." "Ah! É do  trabalho? Então pode ficar com ele.", completou. Depois disso ele ficou me xingando e eu virei, sem reação, só ouvindo e cagando para o que ele falava. Meu ônibus não passava e eu resolvi pegar qualquer um. Precisava sair dali. Não sabia se podia porque ele continuava do meu lado, mas fui fazendo sinal para um ônibus qualquer. Entrei no ônibus sozinha, desnorteada. Minha voz começou a falhar na hora em que perguntei a um passageiro se o ônibus ia direto ou se virava. Ele percebeu que eu não estava bem, me olhou querendo entender o que estava acontecendo comigo e logo depois me respondeu. Depois de ouvir a resposta que queria, fui andando até o final do ônibus vazio e depois voltei ao meio dele, totalmente desorientada. Sentei e meus olhos estavam lacrimejando. Comecei a ficar com medo do babaca ligar pro meu pai ou pra minha mãe, dizer que estava comigo e pedir dinheiro. Me controlei novamente e desci na uerj procurando um telefone público. Andava rápido, perguntava onde tinha telefone e lacrimejava. Só encontrei do outro lado. Quando ouvi a voz do meu pai, comecei a chorar e falei que tinha sido assaltada. Ele só perguntou se eu estava bem e disse que me encontrava antes de eu ir pro estágio. Pedi pra ele avisar a minha mãe, já que não tinha como ligar pra ela. Saí da uerj chorando e percebia que todo mundo olhava pro meu rosto vermelho.  Cheguei no ponto, peguei meu ônibus chorando e fui pensando em mil coisas que poderiam ter acontecido comigo, que eu poderia ter feito na hora, que eu ainda quero fazer na minha vida, etc. Isso tudo me fez chorar até o local no qual encontraria meu pai. Quando o vi, ele me abraçou e disse "Pode chorar, Carol. Pode chorar!" Depois que me recompus, fomos até o carro e liguei pra minha mãe, minha irmã e meu noivo, que na época era meu namorado. Ainda fui trabalhar depois. 

Quis falar sobre esse dia porque hoje faz um ano. Gravei a data porque esse fato aconteceu dez dias depois do aniversário da minha mãe. Hoje também é o dia da minha formatura. Desde o dia em que soube da data, pensava no que tinha acontecido no mesmo dia do ano passado. Tenho certeza de que não é coincidência! 
Deus me deu esse presente de me formar no dia em que fui assaltada no ano anterior. Deus me deu de presente chorar de alegria no dia em que, ano passado, chorei de medo. Tenho certeza de que não é coincidência! Deus me deu dupla honra!

"Se é tempo de chorar, pode até chorar
Mas haverá uma festa ao amanhecer."

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